Fonte: Einstein - Revista Veja 20 de Fevereiro
Os benefícios dos métodos de diagnóstico por imagem são inegáveis, mas os efeitos cumulativos da radiação ainda são desconhecidos.
Há não muito tempo, trauma na cabeça eram sinônimo de observação por 24 horas. O paciente não podia dormir para que se pudesse monitorar a formação de um eventual edema de crânio. Atualmente, a realização de uma tomografia computadorizada pode, em poucos minutos fazer esse diagnóstico.
O exemplo acima mostra o enorme beneficio trazido por esse tipo de exame, que teve uma verdadeira explosão de utilização nos últimos 20 anos. Extremamente eficaz para a avaliação da maioria das estruturas do corpo humano e de custo considerado baixo pelo benefício oferecido, a tomografia computadorizada está hoje entre os exames mais indicados por médicos para se chegar a um diagnóstico preciso.
Com a massificação do seu uso, cresce também a polêmica sobre os riscos que a radiação ionizante para a captação das imagens possa ocasionar a longo prazo em indivíduos que se submetem ao exame com freqüência. Isso porque a quantidade de radiação em um exame doe tomografia computadorizada é superior, por exemplo, á de uma radiografia ou uma mamografia.
Uma radiografia de tórax corresponde a 0,02 mSv*. A dose radiação solar a que todos estamos expostos em um ano é de 2 a 5 mSv, equivalente a pelo menos 100 radiografia de tórax. Já uma tomografia computadorizada envolve, em média, de 2 a 20 mSv, dependendo do tipo de exame.
Os efeitos da radiação em altas doses são amplamente conhecidos: queimaduras, queda de cabelo,hiperfunção da medula. E quando ás conseqüências do uso cumulativo e prolongado de baixa doses? Até hoje os estudos realizados sobre esses tema não são definitivos. Mas quase todos convergem para uma conclusão: a de que a radiação de exames de imagem pode contribuir minimamente para aumentar o risco natural de câncer.
Isso não significa que o risco deva ser desprezado. Além da falta de estudo conclusivos, por ora sabe-se que os efeitos da radiação dependem da sensibilidade de cada pessoa, dos tecidos atingidos e de idade em fetos, é bem conhecida a probabilidade de riscos de malformação.
A tecnologia é uma aliada quando se busca a mínima radiação possível. Hoje, tomógrafos de ultima geração utilizam a chamada técnica de modulação de dose. São equipamentos que avaliam variáveis como peso e altura do paciente, utilizando a dose de radiação mínima necessária, sem comprometer a qualidade do exame. Sem duvida, esse é um caminho para minimizar riscos. Há, também, uma tendência que vem se tornando consenso no meio médico: a de que deve haver mais rigor na indicação de exames de tomografia computadorizada, buscando-se, quando possível, alternativas como a ultrassonografia e a ressonância magnética, que não utilizam radiação ionizante.
Já que os riscos existem, o melhor a fazer se houver necessidade de se submeter a esses exames é, sempre que possível, procurar equipamentos que consigam controlar a dose da radiação. Racionalidade e tecnologia avançada combinadas colocam a serviços dos pacientes aquilo que os recursos diagnósticos podem oferecer de melhor, com a maior segurança.