O aumento no movimento dos hospitais por causa da gripe suína está impactando nos custos das operadoras de planos de saúde.Ocrescimento provocado tanto por pessoas infectadas quanto por aqueles que correm para as unidades particulares com sintomas parecidos chega a 20% no volume de consultas e exames. Empresas já fazem os cálculos e têm a intenção de repassar os gastos para os clientes.
No Copa D”Or, o maior aumento foi no atendimento a crianças: 68% em julho. O crescimento na procura também ocorreu nas unidades da Barra (25%) e São Cristóvão (50%). A Amil tem no momento 15 clientes internados. Segundo o diretor Antonio JorgeKropf,umainternaçãoemUTI chega a R$12 mil por dia.A Unimed- Rio registrou aumento de 20% no uso do plano, mas principalmente em consultas e exames, como hemograma ou chapa de tórax.
O maior uso pelos planos foi confirmado pela Federação Nacional de Saúde Suplementar, que não calculou o impacto nos custos.
O presidente da Abramge, Arlindo Almeida, que representa as empresas de medicina de grupo, disse que é cedo para falar em reajuste, mas admite que, se a situação sair do controle nos próximos meses, pode haver repasse. Em nota, a Agência Nacional de Saúde Suplementar disse que o reajuste dos planos individuais se baseia, entre outros fatores, “na variação relativa à oferta e utilização de procedimentos e eventos em saúde que fujam da curva histórica”. O percentual só será calculado no ano que vem. Já nos planos coletivos, aumento depende de cada contrato.
Intermédica terá unidades para gripe
A operadora de planos de saúde Intermédica, que atua com rede própria de hospitais e centros médicos, começa esta semana a abrir unidades voltadas exclusivamente para atendimento da gripe A (H1N1), também conhecida como gripe suína. A empresa planeja ter três centros médicos com esse perfil, sendo que o primeiro será aberto na capital paulista e os outros dois em Jundiaí e Sorocaba, no interior de São Paulo. Serão usadas instalações da operadora que estavam desativadas.
“Nosso objetivo é “desaglomerar”as pessoas com suspeita de gripe suína com áreas exclusivas” diz Paulo Barbanti, presidente da Intermédica. A operadora tem uma rede própria com 90 centros cirúrgicos, 7 hospitais, 4 maternidades e 8 pronto-socorros. A Intermédica planeja ainda uma ação de esclarecimento da epidemia para seus 1,7 milhão de associados, que deve começar nos próximos dias.
A cooperativa médica Unimed Paulistana também preparou ações específicas. A operadora inicia nesta semana um treinamento em massa para os cerca de 400 médicos e paramédicos que integram a sua equipe.
Com 1,2 milhão de usuários na Grande São Paulo, a operadora teve aumento de 10% no número de atendimentos nas primeiras três semanas de julho, em relação ao mesmo período de 2008. Antes da gripe, a média para julho, mês em que já é observada uma demanda maior por causa do frio, chegava a 10 mil no hospital e, nos pronto-atendimentos, até 16 mil. Até agora, não houve internações por gripe suína no sistema da Unimed Paulistana.
“Precisamos ter maior cuidado com a nossa equipe médica, para que ela esteja o menos suscetível possível à contaminação”, diz Antônio Costa, superintendente de recursos próprios da Unimed Paulistana. “Caso haja necessidade de afastamento desses profissionais, aí sim vamos ter mais problemas”, afirma. O treinamento será dado pelos infectologistas da Unimed Paulistana. Até então, a equipe só seguia o protocolo clínico do Ministério da Saúde para identificar os pacientes com a doença