Infecção hospitalar, uma ameaça para quem busca tratamento

Fonte: Revista Veja 17 de Fevereiro

As infecções hospitalares afetam milhões de pacientes em todo o mundo, apesar de suas cousas e dos métodos de prevenção serem bem conhecidos.

Contrair uma infecção durante a internação hospitalar pode parecer absurdo em uma época de tantos avanços na medicina, mas é mais comum do que imagina.

Só nos Estados Unidos, segundo estimativas dos Centros de Prevenção de Controle de Doenças, o problema atinge de 5% a 10% dos pacientes internados. São 2 milhões de casos por ano, 100 mil dos quais resultam em morte. Outras conseqüências são o aumento do tempo de internação e as seqüelas físicas, além do ônus financeiro. Estudos estimam entre US$ 28,4 e US$ 33,8 bilhões os custos diretos gerados pela infecção hospitalar naquele país. Lá, como aqui, todos pagam essa conta de uma forma ou de outra pacientes, hospitais, governo e operadoras de planos de saúde. Embora o controle dessas infecções seja perseguido, até há pouco tempo elas eram vistas como inevitáveis, uma conseqüência natural da assistência em casos complexos e do aumento da expectativa da vida, que elevou o número de paciente idosos com doenças mais graves.

Hoje, na posição das instituições comprometidas com a segurança do paciente é radical: a meta é eliminar as infecções hospitalares. Não é uma jornada simples. Além de reforçar o número e a qualificação dos profissionais dedicados ao controle das infecções, há outros desafios, como a maior resistência das bactérias aos antibióticos, em grande parte devido ao uso indiscriminado desses medicamentos.

Porém, o principal campo da batalha contra as infecções hospitalares envolve mudanças de comportamento e de processos, inspirada nas melhores práticas baseadas em casos de sucesso.

As principais causas da infecção derivam de falhas humanas e de procedimentos para evitar a exportação do paciente a risco. A prevenção inclui medidas simples. Um exemplo é a higienização das mãos antes, durante e depois de cada procedimento, mesmo que seja uma rotina visita ao quarto do paciente. Há muitas outras práticas recomendadas, como o uso do maior número possível de barreira estéreis quando se coloca um cateter na veia, a administração de antibióticos antes de uma cirurgia e a aspiração de secreções para a prevenção de pneumonia, quando o paciente é submetido á ventilação mecânica.

Como fazer com que essas práticas integrem a rotina do hospital e de seus profissionais? Implantando procedimentos rigorosos, promovendo a mudança de comportamento em várias áreas, capacitando as pessoas e adotando mecanismos para controlar o cumprimento dessas regras. Instituições hospitalares de primeira linha têm estabelecido o objetivo de Tolerância Zero, ou seja, procuram criar uma cultura em que nenhuma dessas regras de prevenção deixa de ser obedecida. Além disso, têm buscado engajar todos os níveis da organização nessa batalha, desde os executivos até as equipes de apoio. Familiares e pacientes também são envolvidos, com medidas educativas e de esclarecimento sobre práticas de higiene.

Tão essencial quanto ter um programa de controle de infecção hospitalar é monitorar o seu desempenho. Hospitais comprometidos com a excelência coletam e acompanham rigorosamente seus indicadores e, em uma postura ética e transparente, levam ao conhecimento de público. Um bom caminho para minimizar riscos é conhecer a instituição que vai tratar de sua saúde e informar-se sobre o que ela tem feito para eliminar a infecção hospitalar. Afinal, o paciente é a principal vítima dessas infecções e tem todos o direito a informações que lhe permitam fazer a melhor escolha.

 

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